Consumo e Sustentabilidade
Na semana passada (18 a 21 de maio) ocorreu em Florianópolis o X Congresso Brasileiro de Direito do Consumidor (www.brasilcon.org.br) e o tema central do debate foi garantir o cumprimento do Código de Defesa do Consumidor e alertar a sociedade para questão da sustentabilidade ambiental.
Os tópicos em questão tocaram em pontos importantes, lembrando, aos presentes, que quanto maior o consumo maior o impacto ambiental, e, principalmente as pessoas com maior poder aquisitivo precisam ter noção disso, pois estas consomem mais, isso quer dizer que absorvem mais recursos da natureza.
Desse modo, caberia a elite mundial, principalmente as pessoas inseridas na classe média de todos os países, adotar a prática do consumo consciente. Pois, quanto maior a renda, maior o impacto na natureza para se produzir essa riqueza.
O grande dilema é como diminuir o consumo, em um mundo que adota como modelo econômico a produção do capital em função deste. Tanto que, quando há alguma crise financeira os governos estimulam a venda de mais produtos aos consumidores. Ex. redução de IPI para a venda de carros, eletrodomésticos, facilidades de financiamento, etc.
Por falar em financiamento, no Brasil, o dinheiro emprestado para o consumo corresponde a 50% de todo capital disponibilizado. A outra metade está distribuída entre indústrias, comércio, serviços, agricultores, estados e municípios, etc.
Ao mesmo tempo, não se pode perder de vista que o Brasil é um país subdesenvolvido e, milhares de brasileiros sequer tem condições de consumir o básico para sua dignidade. Poderia-se então impor limitações a essas pessoas mais humildes, que também desejam realizar seus sonhos de consumo, a fim de, garantir a sustentabilidade do Planeta sob a ótima da elite que esbanja bens materiais?
Se sustentabilidade é prioridade, por que o Governo não criar o imposto sobre grandes fortunas? Afetados os mais ricos, estes, por sua vez, diminuiriam seus padrões de consumo, passando a viver de forma mais humilde, e desse modo, economizando recursos ambientais.
Em outra ótica, há ainda obscuridades no discurso ambientalista. A sustentabilidade é importante para melhorar o local onde vivem os homens, mas estes não têm capacidade para destruir o planeta como se apregoa. Basta olhar a foto da Terra e observar os números: 70% dela é formada por água, e o homem se insere, junto com milhares de outros animais, nos 30% de terras restantes.
Nas terras do Planeta Terra, onde habitam os homens e outros animais, há de se descontar os desertos, montanhas, pântanos, geleiras... Por fim, chega-se ao ponto que o homem ocupa entre 10% e 15% do Planeta.
Outra questão é a falta de conhecimento sobre planetas: Quanto tempo vivem? Como se dá seu processo de transformação? Qual o papel do animal homem neste? Entre milhares de outras perguntas ainda sem respostas.
Enfim, levar às garantias de dignidade a pessoa humana a um grupo cada vez maior de pessoas, e não só as mais ricas, e, consumir os produtos de forma consciente (o consumo é emocional conforme estudos comportamentais), comprando quando necessário, e melhorando o seu ciclo de vida e descarte é o grande desafio para as próximas duas décadas, e que, exigirá dos jovens, estudo, disciplina e muita organização.
Fábio João Turnes
Dir. Executivo CDL/ACISAI
Sec. Municipal Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente |