GUIA SANTO AMARO |
 .: Santo Amaro da Imperatriz em um click :.

.................................................

Jeep Club

Águas Termais

Pontos Turísticos

.................................................
.................................................
.................................................
.................................................
.................................................
.................................................

Histórico

150 Anos

Cursos

Horários Missa

Cronograma Festas

Lista de Igrejas

Arquidiocese

Frei Hugolino

Contato

.................................................
.................................................

Rodeios

CTG's

Links

Áudio

.................................................


COLUNISTA

 

Coluna atualizada 23/09/2009
______________________________________________________________________

180 ANOS DE IMIGRAÇÃO ALEMÃ EM SANTA CATARINA

 

Toni JOCHEM
Historiador

   

 

         No século XIX, começavam a chegar em Santa Catarina levas de imigrantes oriundos de diversas partes da Europa, notadamente os que se utilizavam do idioma alemão. Por lá, noticiava-se que esta terra do Novo Mundo, como tantas outras pertencentes ao Império, era promessa de vida próspera, solo fértil, de riquezas e felicidades, com muitos recursos e territórios a explorar. Além disso, seu clima era mais ameno, o que, de certo modo, facilitava a vida de quem vinha de terras tão frias.

        
O binômio escravidão e imigração marcou o Brasil em seus aspectos sócio-econômicos. Na segunda metade do século 19, o trabalho escravo no Brasil dava sinal de enfraquecimento, diante da política internacional, em prol do trabalho livre. Simultaneamente, na Europa, havia a necessidade do deslocamento de grandes contingentes humanos, inclusive na Confederação dos Estados Alemães (1815-1866), onde a maioria, depois de tomada a decisão de emigrar, optava pelos Estados Unidos da América do Norte que, neste contexto, recebeu mais de 5 milhões de imigrantes. Ao Brasil, situado mais distante e, na época, menos conhecido, imigraram cerca de 200 mil alemães. Eram as conseqüências das transformações que se operaram na economia mundial, em decorrência da Revolução Industrial, entre outros aspectos. No Brasil estas transformações exigiram mudanças, entre as quais a transição do trabalho escravo para o livre, da monocultura para policultura e do latifúndio para o minifúndio.

         O sistema de colonização pela cessão de pequenas propriedades em vazios demográficos e a substituição do trabalho escravo pelo livre nos latifúndios cafeeiros, foram os principais instrumentos da política imigratória. Ele, entre outros aspectos, objetivava o povoamento, com foco nos trabalhadores brancos minifundiários, de territórios onde havia vazios demográficos, visto que os mesmos eram considerados mais eficientes e capazes de induzir um processo de expansão e de modernização da produção agrícola no Brasil.

        
É também importante salientar que, entre outros objetivos da política de colonização, estava o desejo de compor uma classe média rural integrada por imigrantes europeus locados em pequenas propriedades, pois se acreditava que, como agricultores independentes, promoveriam eqüidade, justiça, e bem estar social. A grande lavoura, nesta acepção, cederia lugar à pequena propriedade.

         Os alemães eram considerados bons agricultores e, portanto, ideais para produzir os gêneros alimentícios básicos às populações urbanas e para povoar e desenvolver as inóspitas regiões das Províncias Meridionais: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em Santa Catarina , a colonização alemã se deu nas diversas regiões do estado, entre elas a Grande Florianópolis, onde fundaram a Colônia São Pedro de Alcântara.

         Essa colônia tornou-se a célula-mater de inúmeras povoações, depois ramificadas e hoje cidades em franco desenvolvimento, além do berço de algumas famílias patriarcais, das quais descendem notáveis homens de governo, industriais, desportistas, enfim, líderes do cenário político, industrial e religioso de Santa Catarina e do Brasil. Na área agrícola, temos como legado o cinturão de produção de olerícolas e de outros alimentos, que até nos dias atuais abastecem a população da Grande Florianópolis. Das subseqüentes migrações destes pioneiros alemães para outras terras catarinenses e até mesmo para outras regiões do País, mesclando-se sinergeticamente com outras etnias e incorporando um espírito empreendedor ímpar, nasceram cidades importantes e modelos produtivos extremamente eficazes no contexto do agronegócio que, hodiernamente, estão a projetar o País como um dos maiores celeiros do planeta.

        
Mas o Estado de Santa Catarina não recebeu somente imigrantes alemães. Entre as etnias que se estabeleceram em terras catarinenses podemos citar: lusos, italianos, austríacos, suíços, luxemburgueses, espanhóis, japoneses, holandeses, poloneses, letos, belgas, russos e tantos outros povos.

         Os primeiros imigrantes alemães chegaram à região onde hoje está situado o município de São Pedro de Alcântara e imediações em 1829. Essa epopéia histórica que completa 180 anos divide-se em quatro fases, a saber:

Primeira Fase Chegada ao Porto de Desterro

A primeira fase consiste propriamente na chegada dos imigrantes a Desterro. Em novembro de 1828, respectivamente, nos dias 07 e 12, após longa travessia do Atlântico e passagem pelo Rio de Janeiro, então capital imperial, chegaram à cidade do Desterro hoje Florianópolis o brigue Luísa e o bergantim Marquês de Vianna. Estes veleiros traziam a bordo 635 imigrantes, entre agricultores, artesãos e soldados, em sua maioria provenientes da região do Rio Mosela (Hunsrück e Eifel), hoje Estado da Renânia-Palatinado, na Alemanha.

Segunda Fase Fundação da Colônia

Com a fundação da Colônia São Pedro de Alcântara, inicia-se a segunda fase. O Major de Milícias Silvestre José dos Passos, por determinação do Presidente da Província, Francisco de Alburquerque Mello, funda, em 01 de março de 1829, em plena mata virgem e habitat indígina, a "Colônia dos Alemães", posteriormente denominada São Pedro de Alcântara, em homenagem à Família Imperial reinante, em especial a Dom Pedro I. Sua fundação ocorreu às margens do Caminho-de-tropas, com aproximadamente 60 imigrantes.

Terceira Fase Constituição de Núcleo Colonial

A Colônia São Pedro de Alcântara recebeu, a partir de março de 1829, sucessivas levas de imigrantes, sendo que a maioria professava a religião católica. Estes, após desbravarem a mata virgem e construirem suas casas, articularam a construção da capela de Santa Bárbara e, posteriormente, mais ao sul, às margens do Rio Imaruim, a organização de um pequeno núcleo colonial: a célula-mater da cidade de São Pedro de Alcântara.

Quarta Fase Emancipação Político-Administrativa

A quarta e última fase caracteriza-se pela elevação de São Pedro de Alcântara ao status de município. O princípio desta conquista se dá a partir do desenvolvimento do núcleo colonial, que foi elevado à Freguesia e à Paróquia, mediante Lei Provincial N.194, de 13 de abril de 1844, sendo a autonomia política-administrativa de São Pedro de Alcântara reconhecida e consagrada pela Lei Estadual N. 9.534, de 16 de abril de 1994.

***

Já se passaram 180 anos desde a fundação da Colônia São Pedro de Alcântara. Hoje, quando vemos tantos nomes de descendência alemã em destaque nas mais diversas atividades sócio-econômico-culturais da sociedade catarinense, por certo não avaliamos os sacrifícios que seus antepassados enfrentaram para transformar em realidade o sonho de prosperar, conquistando, a partir da floresta virgem, uma vida mais digna. Nessas ocasiões, muitas vezes, desconsideramos que os pioneiros deixaram para trás seus familiares, sua aldeia natal, sua pátria, com seu referencial cultural para tentar vida nova no Brasil e nos legar uma vida mais próspera.

São Pedro de Alcântara é um marco imigratório que à memória histórica catarinense convém preservar para a posteridade: deficiências humanas, omissão governamental e contingências da natureza estimularam esses membros da primeira comunidade alemã instalada em Santa Catarina a desenvolverem características muito peculiares, um misto de força, perseverança, fé e ardor, o que se tornou um exemplo de união e resistência na adversidade.

          O Estado de Santa Catarina deve aos imigrantes de todas as etnias que o constituíram entre elas a alemã, a condição de seu desenvolvimento econômico e social, além de uma substancial contribuição para uma economia agrária invejável. A trajetória de baixo desenvolvimento da primeira colônia alemã barriga-verde – São Pedro de Alcântara – só não foi mais acentuada e, mais que isso, foi invertida, devido aos brios desses pioneiros e de seus descendentes: os atores dessa história da vida real que, em 01 março de 2009, comemora 180 anos de existência no Estado de Santa Catarina.

 

 

 

São Pedro de Alcântara, 1º de março de 2009
180º Aniversário da Fundação da Colônia São Pedro de Alcântara

 

 

Toni JOCHEM

 

 

 

 

COLÔNIA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

BREVE RESUMO DE SUA HISTÓRIA


         No contexto do processo que culminou na fundação da Colônia São Pedro de Alcântara, em 1828/29, toda a Província de Santa Catarina constituía-se de uma cidade:
Desterro – a capital; e três vilas: Laguna, Lages e São Francisco. Sendo sua população predominantemente de origem lusitana.

         À mesma época, a única via de comunicação ligando Desterro com a vila de Lages, no planalto serrano central, era uma modesta estrada de cargueiros que existia desde o final do século XVIII.

          Para reforçar a colonização e viabilizar a ocupação de vazios demográficos, entre eles as margens da citada via de comunicação, em setembro de 1828, monsenhor Pedro Machado de Miranda Malheiros, imperial inspetor da Colonização Estrangeira, teve autorização para receber no porto do Rio de Janeiro o navio alemão "Johanna Jakobs", que trazia, da Europa, centenas de imigrantes para o Brasil. Não se passou mais de um mês para a chegada dos mesmos, que foram convenientemente alojados em Armação de São Domingos, no Rio de Janeiro.

          Eram 523 imigrantes originários, em sua maioria, da região de Eifel, localizada no Sudoeste da Alemanha, ao norte do Rio Mosela (margem esquerda). A esse grupo, na capital do Império, foram acrescentados 93 homens liberados da chamada "Legião Alemã", o corpo da tropa de mercenários alemães no Exército Imperial Brasileiro que havia sido dissolvido naquela cidade, assim como 19 ex-integrantes do 27º Batalhão de Caçadores de Santa Catarina, igualmente dissolvido. Eram 146 famílias. Totalizam-se, assim, 635 pessoas.

O Rio de Janeiro não foi residência dos alemães recém-chegados durante muito tempo. Em 28 de outubro de 1828, monsenhor Malheiros encaminha o grupo para o Sul do Brasil, a bordo dos veleiros "Luísa" (um brigue) e "Marquês de Vianna" (um bergantim), com destino a Desterro (hoje Florianópolis), onde aportam, respectivamente, em 07 e 12 de novembro de 1828. O brigue "Luísa" transportou 276 pessoas e o bergantim "Marquês de Vianna", 359.

          Em função de um Aviso Imperial de 25 de outubro, o Presidente da Província de Santa Catarina ordenou imediatamente ao major de milícias reformado, Silvestre José dos Passos, que fosse reconhecer o lugar que oferecesse maior comodidade, salubridade e fertilidade para a fundação de uma colônia. Major Silvestre era um conceituado homem público e último morador às margens da projetada estrada para Lages, no Vale do Imaruim.

          Concluído o reconhecimento do sertão, em 07 de dezembro de 1828, Passos apresentou à administração provincial um relatório em que, dada a falta de maiores conhecimentos para bem fazê-lo. Albuquerque Mello, Presidente da Província de Santa Catarina, dois meses depois, através da portaria de 09 de fevereiro de 1829, nomeou Passos diretor da "Colônia dos Alemães", com a incumbência de concretizar uma estrada para Lages, que já se havia projetado, e de erguer os edifícios destinados à recepção dos imigrantes. Eram conseqüências das imperiais determinações recebidas.

          Decorridos quase três meses desde a chegada do bergantim "Marquês de Vianna" à Ilha de Santa Catarina, a 11 de fevereiro de 1829, o primeiro grupo de imigrantes alemães foi transportado para a freguesia de São José, onde ficariam temporariamente alojados. Contudo, por falta de ferramentas e recursos financeiros para se iniciar o trabalho nas novas terras, continuaram por algum tempo com suas vidas limitadas aos alojamentos.   

Em 01 de março, sabe-se, por meio de uma carta subscrita pelo próprio diretor daquela colônia, que a leva inicial de imigrantes, aproximadamente 60 pessoas, já estava alojada nas dependências de seu engenho localizado no sertão de São José, no Vale do Imaruim, pronta para iniciar seus trabalhos nas terras do Novo Mundo. Não se conhece, infelizmente, o dia exato em que ocorreu a primeira entrada dos imigrantes alemães nas terras da colônia, que poderia servir à fixação da data de sua fundação. O dia 01 de março de 1829, posteriormente celebrado como a fundação da Colônia, é apenas a data da carta do diretor Passos ao brigadeiro Albuquerque Mello, narrando os serviços que, sob sua orientação pessoal, haviam sido então executados na mata, no trecho referido do velho Caminho-de-Tropas para Lages.

A primeira tarefa era derrubar parte da mata, de modo que se pudesse construir uma palhoça, esta com a extensão de 50 palmos de comprimento, e, também, implantar parte da estrada. Os colonos estavam realmente empenhados, logo ergueram mais uma palhoça e alguns barracões para a moradia provisória das famílias.

          O governo imperial demonstrava constantes preocupações com os imigrantes alemães em solo catarinense através de ordens transmitidas a Albuquerque Mello, principalmente no que se referia à localização. Contudo, mencionavam, invariavelmente, até meados de 1829, apenas os colonos transportados do Rio de Janeiro para Santa Catarina, no bergantim "Marquês de Vianna". Faltavam, portanto, instruções da Corte quanto aos colonos trazidos no brigue "Luísa" e alojados, provisoriamente, na Armação da Lagoinha.

            Tudo indica, porém, que o presidente da província felizmente percebeu logo a gravidade de tal deficiência e tratou de bem solucionar o problema, uma vez que pôde testemunhar perturbações de ordem interna. Em evidente propósito de minorar os sofrimentos dos imigrantes e a fim de atender, satisfatoriamente, ao menos parte dos rogos e reclamações que lhe estavam sendo apresentados desde os primeiros meses e ao longo de 1829, foram encaminhados, aos poucos, sob o silêncio da corte e responsabilidade pessoal do presidente Albuquerque Mello, para a "Colônia dos Alemães" dirigida por Passos, os colonos abrigados na Armação da Lagoinha, ou seja, aqueles que chegaram a terras catarinenses a bordo do brigue “Luísa”.

          Em janeiro de 1830, ainda estavam aquartelados na Armação da Lagoinha muitos ex-soldados do 27º Batalhão destinados à futura colônia. Estavam desgostosos e extremamente impacientes, resultado da ociosidade, do atraso no pagamento da diária de 160 réis, bem como de suas transferências para a colônia. Por isso, exigiram a solução imediata dessas pendências. Com sentimento de revolta, deslocaram-se da Armação da Lagoinha para o centro da cidade, onde atacaram a casa do presidente da Província, insultando-o atrozmente. Para fazê-los calar, o presidente, diante da falta de recursos públicos, paliativamente solicitou a um negociante que lhes adiantasse certa soma em dinheiro, sob a sua garantia pessoal.

          Enquanto isso, na mata virgem, os trabalhos elementares eram executados de forma gradativa. Em 10 de maio de 1829, Silvestre José dos Passos, dando ciência à corte imperial do desenvolvimento dos serviços a ele confiados, afirma já ter construído 36 palhoças para a habitação provisória dos imigrantes. Com relação à estrada projetada, afirma que sua implantação chega ao local denominado "Galão".

          Diante dos contratempos quando do alojamento nos quartéis das 146 famílias que se destinaram a formar a nova colônia, 14 se deixaram ficar na cidade e seus arrabaldes e, por isso, só 132 lotes de terras foram demarcadas para igual número de famílias. Essas terras que a princípio seriam férteis, além de sáfaras e de superfícies acanhadas, demonstravam qualidade mediana e, às vezes, até infrutífera.

          Já em fevereiro e março de 1829, portanto, durante os trabalhos iniciais no local escolhido para o estabelecimento da colônia, começaram a ocorrer as primeiras deserções. Algumas famílias decidiram fixar residência em Desterro e em São José , outras foram instalar-se, a partir de 06 de maio de 1830, na região do Alto Biguaçu (Louro), lançando os alicerces da cidade de Antônio Carlos; outros solicitaram a concessão de terras mais adequadas às atividades rurais no Patrimônio das Caldas do Cubatão (hoje Caldas da Imperatriz e Águas Mornas). Tal pedido, porém, foi indeferido, sob a justificativa de que aquelas terras não eram devolutas e, além disso, porque estavam localizadas fora do trajeto da estrada Desterro-Lages.  

          Os colonos não demoraram muito para ver que toda a região onde estavam instalados não era apenas acidentada, mas também muito pedregosa, dificultando qualquer lavoura. A própria sede do Arraial de São Pedro de Alcântara, a futura freguesia, comprimia-se entre colinas, com pouca possibilidade de tornar-se um centro maior. Entretanto, ficara decidido por escalões superiores que o "caminho de sertão" em direção aos campos de Lages devia passar por ali. Era a razão de ser da "Colônia dos Alemães" ali fundada.

          Após os colonos terem recebido suas terras, executado a derrubada e iniciado a plantação, segundo algumas fontes históricas, para infelicidade dos imigrantes, uma parte destas ainda estava onerada com títulos de propriedade mais antiga. Formaram-se contendas e processos que, afinal, foram liquidados pela compra das mesmas terras pelos imigrantes. O cotidiano dos primeiros anos foi marcado pela insegurança gerada por problemas fundiários e pelas deficiências dos serviços públicos essenciais.

          Instalados nos lotes coloniais, os imigrantes construíram, então, sua primeira obra comunitária. Nascia da contribuição dos colonos a primeira igreja no topo da serra de Santa Filomena, junto às nascentes do Rio do Louro, cuja padroeira escolhida foi Santa Bárbara. Supomos que era tosca a obra, de madeira bruta, construída com folhas de palmeiras, da mesma forma como ranchos de palha. As paredes e a cobertura eram confeccionadas com as folhas trançadas da palmeira de sapé, ou guaricana. No interior da capela sentia-se o vento sul, que soprava pelas gretas nos domingos frios de inverno rigoroso.

Apesar de carecer de conforto, a igreja era um sinal da união dos colonos, o que os levava a trabalhar com maior esperança e fé, capazes de concretizar objetivos comuns, diante das adversidades naturais da incipiente vida na floresta virgem. Contíguos à pequena capela foram enterrados os pioneiros imigrantes, que não resistindo ao infortúnio da "vida nova", cederam a sua existência. A cada domingo, ou após o culto divino, as pessoas visitavam os túmulos dos entes queridos. Ali, além das lágrimas, semeavam a esperança de uma vida melhor.

Emergia, em plena floresta, um minúsculo aglomerado habitacional, a base da nascente fundação colonial, um "centro" devocional e social dos imigrantes. Tendo sido instalada, a colônia dos alemães, era preciso denominá-la. Tarefa da qual se encarregou o presidente da Província Albuquerque Mello. Em mensagem datada de 11 de julho de 1829, comunicou ao ministro imperial José Clemente Pereira, que dera à "Colônia dos Alemães" a denominação oficial de São Pedro de Alcântara, em homenagem ao primeiro imperador do Brasil.

          O primeiro diretor da colônia, Silvestre José dos Passos, fazendeiro aposentado, por sua idade avançada, já havia pedido repetidas vezes exoneração do cargo, "por não concorrerem em mim (argumentava) os requisitos que exige um tal serviço". Passos exerceu seu cargo até o momento em que todos os imigrantes tomaram posse de seus terrenos. Eleito e nomeado juiz de paz da freguesia de São José, onde assumiu seu cargo em 25 de janeiro de 1829, deixou a administração da colônia em 06 de fevereiro de 1830. Depois, os imigrantes elegeram Nikolaus Henkenn (Heinzen?) como líder e, após a morte deste, seu filho Peter Henkenn (Heinzen?). Sucedeu a Passos, na função de juiz de paz, o súdito alemão João Henrique Soechting, que havia sido tenente do 27º Batalhão de Caçadores e participara, até o ano anterior, da campanha militar do Império contra as províncias unidas do rio da Prata.

          Com a instalação de novas famílias, a colônia vê sua população aumentar. Em setembro de 1830, o diretor Soechting realizou um levantamento censitário e constata: 154 famílias, sendo 136 na estrada para Lages e 18 no Alto Biguaçu (Louro). Outro recenseamento, efetuado em dezembro do mesmo ano, indicava ligeiro aumento da população: 168 famílias, com 652 pessoas, 377 homens e 275 mulheres, aí incluídos adultos e crianças.

Assim que os colonos começaram a colher de seus primeiros roçados e de seus quintais à beira-rio, frutos do suor e de lágrimas incontidas, caiu sobre São Pedro de Alcântara, a 15 de abril de 1830, um devastador temporal com granizo, arruinando a maioria das lavouras. Em 13 de novembro do mesmo ano, outra tempestade bem mais ruinosa, infligiu desânimo. Terceira devastação veio a 15 de dezembro do mesmo ano: a lei que proclamava "abolida em todas as Províncias de Império a despesa com a Colonização Estrangeira". Este ato administrativo equiparou-se, indiretamente, a um virtual decreto de emancipação da colônia. Era um inesperado presente de Natal que a Corte reservara aos colonizadores e que, por conseguinte, retraía o governo imperial de qualquer cooperação direta, abandonando sua iniciativa de promover e dirigir a imigração.

          Diante de parte das promessas não cumpridas, de compromissos desonrados, de terras íngremes e de baixa fertilidade, os colonos de São Pedro de Alcântara, em 1836 começaram a migrar. Reiteraram a solicitação de terras nas imediações de Caldas do Cubatão e lá fundam Vargem Grande. Migram também para o vale do Itajaí Açu, onde lançam os fundamentos das povoações de Belchior e Pocinho – hoje município de Gaspar. Em função da Lei Provincial N. 11, de 05 de maio de 1835, migraram para Gaspar (Colônias Belchior e Pocinho) famílias como: Bins, Deschamps, Händchen, Jochem, Junk, Kehrbach, Klocker, Lucas, Palm, Rausch, Rinkus, Schneider, Sesterhenn, Simonis, Theiss, Wagner, Müller entre outras. Posteriormente, toda Santa Catarina, e por extensão o Brasil, foi recebendo os filhos dos colonos desse núcleo pioneiro.

          A colônia São Pedro de Alcântara florescia às margens da estrada que a atravessa em direção à Vila de Lages. Mas, poucos anos mais tarde, o governo veio a construir, na mesma direção, uma estrada paralela até o alto das Taquaras, na Serra da Boa Vista, de trânsito mais fácil e supostamente menos íngreme, que subia o Vale do Cubatão, via Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas. A transferência de parte do trajeto da estrada via Vale do Cubatão, em detrimento do Vale do Imaruim, "isolou" economicamente São Pedro de Alcântara, em função da privação do comércio fomentado pelos transeuntes, principalmente os tropeiros. 

 

 

PARÓQUIA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

 

 

Com patrono homônimo, desmembrando-o da paróquia da Vila de São José, no dia 13 de abril de 1844, o presidente da Província de Santa Catarina, Antero José Ferreira de Brito, após aprovação da Assembléia Legislativa, sancionou a Lei N. 194, que erigia em freguesia o arraial da Colônia São Pedro de Alcântara. Em 23 de abril do mesmo ano, a citada freguesia, é elevada à Paróquia. Apesar de ter sida criada em 1844 e confirmada pelo bispo do Rio de Janeiro em 1845, a nova paróquia começou a funcionar alguns anos mais tarde: 1850. Nesse ano recebe seu primeiro um pároco, monsenhor Manoel Joaquim da Paixão. Até então quem cuidava da novel paróquia era o Pe.  Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva, residente em São José [1] .

Com o passar dos anos, São Pedro de Alcântara precisava de uma nova igreja matriz. Dessa forma, mobilizou-se a comunidade; a obra foi concebida e executada na segunda metade da década de 1920. Não poderia ter sido melhor o presente para as comemorações do centenário da Colônia do que as obras da nova Igreja Matriz, consagrada em 21 de dezembro de 1930,  com as seguintes dimensões físicas [2] :

 

Altura da torre central: 43,00m
Cúpula por fora: 35,00m
Cúpula por dentro: 33,00m
Cúpula central, diâmetro: 12,80m
Igreja – a parte mais larga: 18,40m de largura
Igreja – a parte mais estreita: 12,80m de largura
Igreja – da porta até o presbitério: 26,40m de comprimento
Igreja – presbitério: 7,80m de comprimento
Igreja – da porta até atrás do altar: 34,20m de comprimento
Igreja – nas portas das sacristias: 9,30m de largura.

 

 

 

CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO

 

Como vimos, em 13 de abril de 1844, o presidente da Província de Santa Catarina, Antero José Ferreira de Brito, após aprovação da Assembléia Legislativa, sancionou a Lei N. 194, que erigia em freguesia o arraial da Colônia São Pedro de Alcântara, com patrono homônimo, desmembrando-o da paróquia da Vila de São José. Em 23 de abril do mesmo ano, a freguesia, com seus limites indicados, é elevada à condição de Paróquia. Essa data de elevação da Colônia à Freguesia, equivalia, à época, aos nossos atuais Distritos na divisão geo-política dos Municípios. 

Em 1848, São Pedro de Alcântara contava com 145 famílias, que comportavam 700 habitantes, não contando neste número muitas famílias que mudaram o domicílio para a margem dos rios Biguaçu, Tijucas e Itajaí, e muitos que residiam na vila de São José e na capital. Se os todos os colonos tivessem permanecido onde foram instalados, decerto poder-se-ia contar na Colônia, perto de 3.000 pessoas. Seis anos mais tarde, em 1854, residiam na Colônia 1.500 habitantes, sendo mais de 30 escravos, 300 estrangeiros e aproximadamente 1.000 brasileiros, entre descendentes de colonos e naturais do país.

          De acordo com o censo demográfico brasileiro de 1980, a população do distrito de São Pedro de Alcântara era de 4.701 pessoas. A sinopse preliminar da população recenseada em 1991 do Distrito acusa 4.021 habitantes. Em 1990, iniciava-se um movimento com significativo apoio popular, à frente o incansável Pe. HUBERTO WATERKEMPER, visando à emancipação político-administrativa de São Pedro de Alcântara do município de São José. Em 31 de março de 1991, foi realizado o plebiscito, quando os eleitores devidamente inscritos manifestaram-se, com expressiva quantidade de votos, favoráveis à sua emancipação.

          Após longa batalha jurídica devido à contrariedade e intransigência do então Prefeito de São José, cumpridos os trâmites legais e obtida, em março de 1994, por unanimidade de votos, a aprovação da Assembléia Legislativa ao projeto de emancipação, ocorreu a instituição do município de São Pedro de Alcântara, através da Lei Nº. 9.534. Lei que, a 16 de abril de 1994, o então governador de Santa Catarina, Dr. Antônio Carlos Konder Reis, fez questão de sancionar em cerimônia realizada no solo da própria sede da histórica colônia. A instalação do novo município ocorreu a 01 de janeiro de 1997.  

 

 

ANEXOS

RELAÇÃO DOS SOBRENOMES DE IMIGRANTES ESTABELECIDOS NA
COLÔNIA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA-SC
NO PERÍODO DE 1829 A 1900 [3]

 

 

SOBRENOME SOBRENOME SOBRENOME SOBRENOME
001 Achtert 002 Agnes 003 Ahl 004 Albers
005 Alflen 006 Ambré 007 Arenz 008 Backes
009 Balles 010 Barthes 011 Bass 012 Bauer
013 Baumgarten 014 Becker 015 Behrens 016 Bender
017 Berg 018 Bergmann 019 Besen 020 Beuren
021 Beurer 022 Bins 023 Bissel 024 Bläser
025 Blasius 026 Boeckler 027 Bohnen 028 Bonherts
029 Born 030 Bornhausen 031 Bornhofer 032 Both
033 Böttger 034 Brand 035 Brandenburger 036 Braun
037 Bries 038 Brüchnem 039 Brück 040 Brückenem
041 Brütner 042 Bückler 043 Büdinger 044 Bühler
045 Burlschenbusch 046 Bursliet 047 Büttinger 048 Cammer
049 Cher 050 Colin 051 Conradi 052 Croemer
053 Dahmann 054 Danner 055 De Neuve 056 Depré
057 Deschamps 058 Dewes 059 Diederich 060 Diedmann
061 Dör 062 Eich 063 Emmerich 064 Erz
065 Esper 066 Felber 067 Feltes 068 Fischer
069 Franzener 070 Freiberger 071 Friedes 072 Friedrich
073 Frilhs 074 Fuchs 075 Fuhrmann 076 Gansen
077 Gebien 078 Geise 079 Geissbusch 080 Gesser
081 Gödert 082 Görent 083 Gorges 084 Grab
085 Griele 086 Grundhöfer 087 Gysing 088 Habitzreuter
089 Hack 090 Händchen 091 Hanssen 092 Haskel
093 Heck 094 Heingmann 095 Heinzen 096 Henne
097 Herath 098 Hermes 099 Herkes 100 Hesser
101 Hoffmann 102 Holze 103 Holzer 104 Horn
105 Huber 106 Hutmann 107 Jakob 108 Jakobsen
109 Jäp 110 Jasper 111 Jeantié 112 Juchem
113 Junk 114 Junkers 115 Junklaus 116 Justen
117 Kahl 118 Kehrig 119 Kenzer 120 Kerbach
121 Kich 122 Kiefer 123 Kiele 124 Kirchen
125 Kirckn 126 Klasen 127 Kleger 128 Klock
129 Klocker 130 Kobes 131 Köche 132 Kohlen
133 Kommes 134 König 135 Kons 136 Kremer
137 Kretzer 138 Kreusch 139 Kreutz 140 Krick
141 Kroemer 142 Kron 143 Kuber 144 Kuhnen
145 Laubentahl 146 Lauer 147 Laux 148 Lee Fleuer
149 Lennhardt 150 Lenz 151 Lesseln 152 Lieser
153 Loch 154 Lohn 155 Lohr 156 Longen
157 Lorich 158 Lucas 159 Ludwig 160 Mannebach
161 Mannerich 162 Mannes 163 Martendahl 164 May
165 Meier 166 Meinschein 167 Mergener 168 Merger
169 Merges 170 Mertens 171 Meurer 172 Michels
173 Milwerstedt 174 Müller 175 Münnich 176 Münter
177 Muthmann 178 Nau 179 Neckel 180 Neiss
181 Netver 182 Neumann 183 Orels 184 Ostermann
185 Otto 186 Palm 187 Pauli 188 Payeken
189 Peters 190 Petri 191 Petry 192 Pfeiffer
193 Philippi 194 Pies 195 Pirmassing 196 Planck
197 Plevoets 198 Preis 199 Pretz 200 Prim
201 Pudinger 202 Pütz 203 Radat 204 Rausch
205 Reichert 206 Reinadus 207 Reinert 208 Reiter
209 Remackles 210 Rengel 211 Reuter 212 Richard
213 Rinkus 214 Rohden 215 Rohles 216 Rohrs
217 Rosar 218 Rothanermel 219 Rübler 220 Ruöte
221 Ruppel 222 Sabel 223 Salis 224 Schäfer
225 Scharf 226 Schauren 227 Scheid 228 Schell
229 Schenk 230 Scherer 231 Schiff 232 Schimke
233 Schmidt 234 Schmitt 235 Schmitz 236 Schneid
237 Schneider 238 Schnitzler 239 Schock 240 Schreiner
241 Schroeder 242 Schumacher 243 Schütz 246 Schwabe
245 Schwartz 246 Schwarz 247 Schweitzer 248 Sens
249 Sensheim 250 Sepular 251 Sesterhenn 252 Sieglin
253 Simonis 254 Soechting 255 Spengler 256 Stähelin
257 Stein 258 Steinbach 259 Steins 260 Stock
261 Stoll 262 Theiss 263 Theissen 264 Thomas
265 Tiegendorf 266 Tildris 267 Trierweiler 268 Van Bursliet
269 Von Kurz 270 Vicker 271 Vürtz 272 Wagner
273 Waldorf 274 Waldrich 275 Weber 276 Weinand
277 Welter 278 Werner 279 Westrup 280 Wiedrich
281 Wiese 282 Wild 283 Wilhelm 284 Will
285 Wilvert 286 Winter 287 Wirschem 288 Wolf
289 Wollscheid 290 Zerpes 291 Ziegler 292 Zimmer
293 Zimmermann 294 Zischer - - - -

            Fonte: Historiador Toni Jochem.

 

 

CRONOLOGIA DA IMIGRAÇÃO
E COLONIZAÇÃO ALEMÃS QUE ANTECEDEU A  FUNDAÇÃO DA COLÔNIA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA-SC

 

22/04/1500

O Brasil é descoberto.

01/09/1534

Portugal concede as terras de Sant’Ana, hoje litoral de Santa Catarina, em Capitania Hereditária , a Pero Lopes de Souza.

1776

O Governador da Capitania de Santa Catarina, Pedro Antônio da Gama Freitas, ordena ao Tenente José Luiz Marinho a abertura de uma picada exploratória em direção ao Planalto Serrano, a partir da foz do Rio Cubatão.

11/01/1787

Início do empreendimento exploratório da ligação rodoviária litoral-planalto, via Vale Rio Imaruim.

20/12/1787

O Alferes João de Bitencourt Pereira Machado e Souza faz o reconhecimento da picada do Alferes Antônio José da Costa e propõe o traçado do "Caminho das Tropas", via Vale do Cubatão.

31/10/1787

O Vice-Rei do Brasil, Luís de Vasconcelos e Souza, autoriza a construção da ligação rodoviária entre o Planalto Serrano e o Litoral catarinense, futura rodovia BR – 282.

06/12/1790

Conclusão da implantação da estrada litoral-planalto e entrega ao procurador da Câmara de Desterro, Aleixo Maria Caetano.

1808

O Príncipe Regente Dom João transfere-se para o Brasil e decreta, em 28 de janeiro, a abertura dos portos brasileiros. Estrangeiros formam colônias urbanas.

1814

D. João convida súditos de todos os países europeus à imigração.

30/10/1814

Indígenas enfurecidos dizimam contingente policial que guardava as fontes termais em Caldas do Cubatão, hoje, Caldas da Imperatriz, em Santo Amaro da Imperatriz.

1817

A arquiduquesa Leopoldina (1797-1826) chega ao Rio de Janeiro. Em sua comitiva figuram cientistas, artistas e artesãos alemães. Imperatriz a partir de 1822.

1818

Fundadas as primeiras colônias agrícolas alemãs no Brasil: Leopoldina e São Jorge dos Ilhéus, na Bahia.

1820

Fundação de Nova Friburgo-RJ. Suíços ocidentais. D. João tenta atrair imigrantes alemães.

07/09/1822

Declaração da Independência do Brasil, por D. Pedro. Imperador até 1831.

1823

Organização dos Batalhões de Estrangeiros, no Rio de Janeiro.

1824

Constituição do Império, em 25 de março. Admissão de imigrantes não-católicos. Em 3 de maio, criação da primeira comunidade evangélica alemã, em Nova Friburgo-RJ. Em 25 de julho, fundação da Colônia São Leopoldo, Rio Grande do Sul.

1829

Fundação de colônias alemãs Santo Amaro, em São Paulo e Rio Negro, no Paraná.

01/03/1829

Fundação de São Pedro de Alcântara – a mais antiga colônia alemã do Estado de Santa Catarina – no Vale do Rio Imaruim.

 Fonte: Historiador Toni Jochem.

 

RELAÇÃO DOS PRINCIPAIS NÚCLEOS DE COLONIZAÇÃO ALEMÃ FUNDADOS NO PERÍODO DE 1829 A 1900 NO ESTADO DE SANTA CATARINA

 

NOME DA COLÔNIA

EXTENSÕES OU SUB-DIVISÕES
DA COLÔNIA

REGIÃO
POLARIZADA

FUNDADOR

DATA/ANO DA
FUNDAÇÃO

CIDADE/MUNICÍPIO
/REGIÃO

01

São Pedro de Alcântara

Sede de Colônia

Grande Florianópolis

Governo Provincial/Imperial

01/03/1829

São Pedro de Alcântara

02

São Pedro de Alcântara

Santa Filomena

Grande Florinaópolis

Núcleo Espontâneo

1830

São Pedro de Alcântara

03

São Pedro de Alcântara

Colônia Itajahy

Médio Vale do Itajaí

Governo Provincial

05/05/1835

Região de Gaspar e Imediações

04

São Pedro de Alcântara

Vargem Grande

Grande Florianópolis

Núcleo Espontâneo

1837

Águas Mornas

05

São Pedro de Alcântara

Leopoldina

Grande Florianópolis

Seridan Telghuís

1848

Antônio Carlos

06

Santa Isabel

Sede de Colônia

Grande Florianópolis

Governo Provincial//Imperial

1847

Águas Mornas e Rancho Queimado

07

Piedade

Sede de Colônia

Grande Florianópolis

Governo Provincial/Imperial

1847

Governador Celso Ramos

08

Blumenau

Sede de Colônia

Médio Vale do Itajaí

Hermann Blumenau

02/09/1850

Blumenau e Região

09

Blumenau

Rio do Testo

Médio Vale do Itajaí

Núcleo Espontâneo

1860?

Pomerode

10

Blumenau

Indaial

Médio Vale do Itajaí

Núcleo Espontâneo

1866

Indaial

11

Blumenau

Benedito - Timbó

Médio Vale do Itajaí

Friedrich Donner

1869

Timbó

12

Dona Francisca

Sede de Colônia

Nordeste Catarinense

Sociedade Colonizadora de Hamburgo

09/03/1851

Joinville e Região

13

Dona Francisca

Guaramirim

Região de Brüderthal

Pastor Wilhelm Gottfred Lange

1866

Guaramirim

14

Dona Francisca

Jaraguá

Vale do Itapocu

Emílio Carlos Jourdain

1876

Jaraguá do Sul

15

Dona Francisca

São Bento do Sul

Alto Rio Negro

Sociedade Hamburguesa de Colonização

1873

São Bento do Sul

16

Col. Militar Santa Teresa

Sede de colônia

Rio do Itajaí do Sul

Governo Provincial/Imperial

08/11/1853

Alfredo Wagner

17

Itajahy

Sede de Colônia

Vale do Itajaí Mirim

Governo Imperial

04/08/1860

Brusque e Guabiruba

18

Teresópolis

Sede de Colônia

Grande Florianópolis

Governo Provincial/Imperial

03/06/1860

Águas Mornas e São Bonifácio

19

Teresópolis

Quadro Braço do Norte

Vale do Rio Tubarão

Núcleo Espontâneo

1873

São Ludgero e Região

20

Col. Nacional Angelina

Sede de Colônia

Grande Florianópolis

Governo Provincial

10/12/1860

Angelina

21

Grão-Pará

--------

Vale do Rio Tubarão

Joaquim Caetano Pinto Júnior

02/12/1882

Grão-Pará

22

Hansa - Humbold

Sede de Colônia

Vale do Itapocu

Sociedade Colonizadora Hanseática

1897

Corupá

23

Hansa - Hamônia

Sede de Colônia

Alto Vale do Itajaí

Sociedade Colonizadora Hanseática

1897

Ibirama e Região

 

Fonte: Historiador Toni Jochem. A presente relação não esgota o rol dos núcleos, extensões ou subdivisões de Colônias Alemãs fundadas no período de 1829 a 1900 no Estado de Santa Catarina. Um estudo mais acurado poderá complementar a presente tabela. Informamos ao leitor que em algumas dessas Colônias (Santa Teresa e Angelina) os imigrantes alemães eram minoria.

 

 

NOTAS DE FIM

[1] Párocos de São Pedro de Alcântara: 1850 Mons. Manoel Joaquim da Paixão; 1854 Pe. Meinolph Traube; 1857 Padres de São José; 1860 Pe. Rupert Bucher; 1872 Padres de Teresópolis.

1883 Pe. Jacob Pies; 1888 Pe. Johann Baptista Steiner; 1903 Pe. Huberto Others; 1919 Côn. Francisco Giesberts; 1922 Pe. Jacob Luís Nebel; 1925 Pe. Bernardo Bläsing; 1927 Pe. João Müsch;

1927 Pe. Bernardo Füchter; 1930 Pe. Nicolau Schaan; 1939 Pe. Rodolfo Machado; 1941 Pe. Roberto Wyrobek; 1955 Côn. Bernardo Bläsing; 1959 Pe. Osvaldo Prim; 1962 Pe. Albano Koehler; 1965 Pe. Huberto Waterkemper; 1998 Pe. Siro Manoel de Oliveira; 2001 Pe. Antônio Luiz Schmitt. 
2004 Pe. José Osni Kuhnen; 2007 – Pe. Pedro Arnoldo da Silva; 2008 – Pe. Agostinho Stähelin; 2009 – Pe. Jorge Gelatti.

[2] REITZ, Raulino. Alto Biguaçu – Narrativa Cultural Tetrarracial. Florianópolis: Editora Lunardelli e Editora da UFSC, 1988, p. 356.

[3] Essa relação de sobrenomes foi elaborada pelo historiador Toni Jochem em 1999 e se faz constar no Obelisco da Imigração localizado na Praça Leopoldo Francisco Kretzer,