180 ANOS DE IMIGRAÇÃO
ALEMÃ
EM SANTA CATARINA
Toni JOCHEM
Historiador
No século XIX, começavam
a chegar
em Santa
Catarina
levas de imigrantes oriundos de diversas partes da
Europa, notadamente os que se utilizavam do idioma alemão. Por lá, noticiava-se
que esta terra do Novo Mundo, como tantas outras pertencentes ao Império, era
promessa de vida próspera, solo fértil, de riquezas e felicidades, com muitos
recursos e territórios a explorar. Além disso, seu clima era mais ameno, o que,
de certo modo, facilitava a vida de quem vinha de terras tão frias.
O binômio escravidão e imigração marcou o Brasil em
seus aspectos sócio-econômicos. Na segunda metade do século 19, o trabalho
escravo no Brasil dava sinal de enfraquecimento, diante da política internacional,
em prol do trabalho livre. Simultaneamente, na Europa, havia a necessidade do
deslocamento de grandes contingentes humanos, inclusive na Confederação dos
Estados Alemães (1815-1866), onde a maioria, depois de tomada a decisão de
emigrar, optava pelos Estados Unidos da América do Norte que, neste contexto,
recebeu mais de 5 milhões de imigrantes. Ao Brasil, situado mais distante e, na
época, menos conhecido, imigraram cerca de 200 mil alemães. Eram as
conseqüências das transformações que se operaram na economia mundial, em
decorrência da Revolução Industrial, entre outros aspectos. No Brasil estas
transformações exigiram mudanças, entre as quais a transição do trabalho
escravo para o livre, da monocultura para policultura e do latifúndio para o minifúndio.
O sistema de colonização pela cessão de pequenas
propriedades em vazios demográficos e a substituição do trabalho escravo pelo
livre nos latifúndios cafeeiros, foram os principais instrumentos da política
imigratória. Ele, entre outros aspectos, objetivava o povoamento, com foco nos
trabalhadores brancos minifundiários, de territórios onde havia vazios
demográficos, visto que os mesmos eram considerados mais eficientes e capazes
de induzir um processo de expansão e de modernização da produção agrícola no
Brasil.
É também importante salientar que, entre outros
objetivos da política de colonização, estava o desejo de compor uma classe
média rural integrada por imigrantes europeus locados em pequenas propriedades,
pois se acreditava que, como agricultores independentes, promoveriam eqüidade,
justiça, e bem estar social. A grande lavoura, nesta acepção, cederia lugar à
pequena propriedade.
Os alemães eram considerados
bons agricultores e, portanto, ideais para produzir os gêneros alimentícios
básicos às populações urbanas e para povoar e desenvolver as inóspitas regiões
das Províncias Meridionais: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Em Santa Catarina
, a
colonização alemã se deu nas diversas regiões do estado, entre elas a Grande
Florianópolis, onde fundaram a Colônia São Pedro de Alcântara.
Essa colônia tornou-se a célula-mater de inúmeras
povoações, depois ramificadas e hoje cidades em franco desenvolvimento, além do
berço de algumas famílias patriarcais, das quais descendem notáveis homens de governo,
industriais, desportistas, enfim, líderes do cenário político, industrial e
religioso de Santa Catarina e do Brasil. Na área agrícola, temos como legado o
cinturão de produção de olerícolas e de outros alimentos, que até nos dias
atuais abastecem a população da Grande Florianópolis. Das subseqüentes
migrações destes pioneiros alemães para outras terras catarinenses e até mesmo
para outras regiões do País, mesclando-se sinergeticamente com outras etnias e
incorporando um espírito empreendedor ímpar, nasceram cidades importantes e
modelos produtivos extremamente eficazes no contexto do agronegócio que,
hodiernamente, estão a projetar o País como um dos maiores celeiros do planeta.
Mas o Estado de Santa
Catarina não recebeu somente imigrantes alemães. Entre as etnias que se
estabeleceram em terras catarinenses podemos citar: lusos, italianos,
austríacos, suíços, luxemburgueses, espanhóis, japoneses, holandeses,
poloneses, letos, belgas, russos e tantos outros povos.
Os primeiros imigrantes
alemães chegaram à região onde hoje está situado o município de São Pedro de Alcântara e imediações em
1829. Essa epopéia histórica que completa 180 anos divide-se em quatro fases, a
saber:
Primeira Fase – Chegada ao Porto de Desterro
A primeira fase consiste
propriamente na chegada dos imigrantes a Desterro. Em novembro de 1828,
respectivamente, nos dias 07 e 12, após longa travessia do Atlântico e passagem
pelo Rio de Janeiro, então capital imperial, chegaram à cidade do Desterro – hoje Florianópolis – o brigue Luísa e o bergantim Marquês de Vianna. Estes veleiros traziam a bordo 635 imigrantes, entre
agricultores, artesãos e soldados, em sua maioria provenientes da região do Rio
Mosela (Hunsrück e Eifel), hoje Estado da Renânia-Palatinado, na Alemanha.
Segunda Fase – Fundação da Colônia
Com a fundação da Colônia São
Pedro de Alcântara, inicia-se a segunda fase. O Major de Milícias Silvestre
José dos Passos, por determinação do Presidente da Província, Francisco de
Alburquerque Mello, funda, em 01 de março de 1829, em plena mata virgem e
habitat indígina, a "Colônia dos Alemães", posteriormente denominada
São Pedro de Alcântara, em homenagem à Família Imperial reinante, em especial a
Dom Pedro I. Sua fundação ocorreu às margens do Caminho-de-tropas, com
aproximadamente 60 imigrantes.
Terceira Fase – Constituição de Núcleo Colonial
A Colônia São Pedro de Alcântara
recebeu, a partir de março de 1829, sucessivas levas de imigrantes, sendo que a
maioria professava a religião católica. Estes, após desbravarem a mata virgem e
construirem suas casas, articularam a construção da capela de Santa Bárbara e,
posteriormente, mais ao sul, às margens do Rio Imaruim, a organização de um
pequeno núcleo colonial: a célula-mater da cidade de São Pedro de Alcântara.
Quarta Fase – Emancipação Político-Administrativa
A quarta e última fase
caracteriza-se pela elevação de São Pedro de Alcântara ao status de município. O princípio desta conquista se dá a partir do
desenvolvimento do núcleo colonial, que foi elevado à Freguesia e à Paróquia,
mediante Lei Provincial N.194, de 13 de abril de 1844, sendo a autonomia
política-administrativa de São Pedro de Alcântara reconhecida e consagrada pela
Lei Estadual N. 9.534, de 16 de abril de 1994.
***
Já se passaram 180 anos desde a fundação da Colônia
São Pedro de Alcântara. Hoje, quando vemos tantos nomes de descendência alemã
em destaque nas mais diversas atividades sócio-econômico-culturais da sociedade
catarinense, por certo não avaliamos os sacrifícios que seus antepassados
enfrentaram para transformar em realidade o sonho de prosperar, conquistando, a
partir da floresta virgem, uma vida mais digna. Nessas ocasiões, muitas vezes,
desconsideramos que os pioneiros deixaram para trás seus familiares, sua aldeia
natal, sua pátria, com seu referencial cultural para tentar vida nova no Brasil
e nos legar uma vida mais próspera.
São Pedro de Alcântara é um marco imigratório que à
memória histórica catarinense convém preservar para a posteridade: deficiências
humanas, omissão governamental e contingências da natureza estimularam esses
membros da primeira comunidade alemã instalada
em Santa Catarina
a
desenvolverem características muito peculiares, um misto de força,
perseverança, fé e ardor, o que se tornou um exemplo de união e resistência na
adversidade.
O
Estado de Santa Catarina deve aos imigrantes de todas as etnias que o
constituíram entre elas a alemã, a condição de seu desenvolvimento econômico e
social, além de uma substancial contribuição para uma economia agrária
invejável. A trajetória de baixo desenvolvimento da primeira colônia alemã
barriga-verde – São Pedro de Alcântara – só não foi mais acentuada e, mais que
isso, foi invertida, devido aos brios desses pioneiros e de seus descendentes:
os atores dessa história da vida real que, em 01 março de 2009, comemora 180
anos de existência no Estado de Santa Catarina.
São Pedro de Alcântara, 1º de março de 2009
180º Aniversário da Fundação da Colônia São Pedro de
Alcântara
Toni JOCHEM
COLÔNIA SÃO PEDRO DE
ALCÂNTARA
BREVE RESUMO DE SUA HISTÓRIA
No
contexto do processo que culminou na fundação da Colônia São Pedro de
Alcântara, em 1828/29, toda a Província de Santa Catarina constituía-se de uma
cidade: Desterro – a capital; e três
vilas: Laguna, Lages e São Francisco. Sendo sua população predominantemente de
origem lusitana.
À
mesma época, a única via de comunicação ligando Desterro com a vila de Lages,
no planalto serrano central, era uma modesta estrada de cargueiros que existia
desde o final do século XVIII.
Para
reforçar a colonização e viabilizar a ocupação de vazios demográficos, entre
eles as margens da citada via de comunicação, em setembro de 1828, monsenhor
Pedro Machado de Miranda Malheiros, imperial inspetor da Colonização
Estrangeira, teve autorização para receber no porto do Rio de Janeiro o navio
alemão "Johanna Jakobs", que trazia, da Europa, centenas de
imigrantes para o Brasil. Não se passou mais de um mês para a chegada dos
mesmos, que foram convenientemente alojados em Armação de São Domingos, no Rio
de Janeiro.
Eram
523 imigrantes originários, em sua maioria, da região de Eifel, localizada no Sudoeste da Alemanha, ao norte do Rio Mosela
(margem esquerda). A esse grupo, na capital do Império, foram acrescentados 93
homens liberados da chamada "Legião Alemã", o corpo da tropa de
mercenários alemães no Exército Imperial Brasileiro que havia sido dissolvido
naquela cidade, assim como 19 ex-integrantes do 27º Batalhão de Caçadores de
Santa Catarina, igualmente dissolvido. Eram 146 famílias. Totalizam-se, assim,
635 pessoas.
O Rio de Janeiro não foi residência dos alemães
recém-chegados durante muito tempo. Em 28 de outubro de 1828, monsenhor
Malheiros encaminha o grupo para o Sul do Brasil, a bordo dos veleiros
"Luísa" (um brigue) e "Marquês de Vianna" (um bergantim),
com destino a Desterro (hoje Florianópolis), onde aportam, respectivamente, em
07 e 12 de novembro de 1828. O brigue "Luísa" transportou 276 pessoas
e o bergantim "Marquês de Vianna", 359.
Em
função de um Aviso Imperial de 25 de outubro, o Presidente da Província de
Santa Catarina ordenou imediatamente ao major de milícias reformado, Silvestre
José dos Passos, que fosse reconhecer o lugar que oferecesse maior comodidade,
salubridade e fertilidade para a fundação de uma colônia. Major Silvestre era
um conceituado homem público e último morador às margens da projetada estrada
para Lages, no Vale do Imaruim.
Concluído
o reconhecimento do sertão, em 07 de dezembro de 1828, Passos apresentou à
administração provincial um relatório em que, dada a falta de maiores
conhecimentos para bem fazê-lo. Albuquerque Mello, Presidente da Província de
Santa Catarina, dois meses depois, através da portaria de 09 de fevereiro de
1829, nomeou Passos diretor da "Colônia dos Alemães", com a incumbência
de concretizar uma estrada para Lages, que já se havia projetado, e de erguer
os edifícios destinados à recepção dos imigrantes. Eram conseqüências das
imperiais determinações recebidas.
Decorridos
quase três meses desde a chegada do bergantim "Marquês de Vianna" à
Ilha de Santa Catarina, a 11 de fevereiro de 1829, o primeiro grupo de
imigrantes alemães foi transportado para a freguesia de São José, onde ficariam
temporariamente alojados. Contudo, por falta de ferramentas e recursos
financeiros para se iniciar o trabalho nas novas terras, continuaram por algum
tempo com suas vidas limitadas aos alojamentos.
Em 01 de março, sabe-se, por meio de uma carta
subscrita pelo próprio diretor daquela colônia, que a leva inicial de
imigrantes, aproximadamente 60 pessoas, já estava alojada nas dependências de
seu engenho localizado no sertão de São José, no Vale do Imaruim, pronta para
iniciar seus trabalhos nas terras do Novo Mundo. Não
se conhece, infelizmente, o dia exato em que ocorreu a primeira entrada dos
imigrantes alemães nas terras da colônia, que poderia servir à fixação
da data de sua fundação. O dia 01 de março de 1829, posteriormente celebrado
como a fundação da Colônia, é apenas a data da carta do diretor Passos ao brigadeiro Albuquerque Mello, narrando os serviços que, sob
sua orientação pessoal, haviam sido então executados na mata, no trecho
referido do velho Caminho-de-Tropas para Lages.
A primeira tarefa era derrubar parte da mata, de modo
que se pudesse construir uma palhoça, esta com a extensão de 50 palmos de
comprimento, e, também, implantar parte da estrada. Os colonos estavam
realmente empenhados, logo ergueram mais uma palhoça e alguns barracões para a
moradia provisória das famílias.
O
governo imperial demonstrava constantes preocupações com os imigrantes alemães
em solo catarinense através de ordens transmitidas a Albuquerque Mello,
principalmente no que se referia à localização. Contudo, mencionavam,
invariavelmente, até meados de 1829, apenas os colonos transportados do Rio de
Janeiro para Santa Catarina, no bergantim "Marquês de Vianna".
Faltavam, portanto, instruções da Corte quanto aos colonos trazidos no brigue
"Luísa" e alojados, provisoriamente, na Armação da Lagoinha.
Tudo indica, porém, que o presidente da
província felizmente percebeu logo a
gravidade de tal deficiência e tratou de bem solucionar o problema, uma vez que
pôde testemunhar perturbações de ordem interna. Em evidente propósito de
minorar os sofrimentos dos imigrantes e a fim de atender, satisfatoriamente, ao
menos parte dos rogos e reclamações que lhe estavam sendo apresentados desde os
primeiros meses e ao longo de 1829, foram encaminhados, aos poucos, sob o
silêncio da corte e responsabilidade pessoal do presidente Albuquerque Mello,
para a "Colônia dos Alemães" dirigida por Passos, os colonos
abrigados na Armação da Lagoinha, ou seja, aqueles que chegaram a terras
catarinenses a bordo do brigue “Luísa”.
Em
janeiro de 1830, ainda estavam aquartelados na Armação da Lagoinha muitos ex-soldados
do 27º Batalhão destinados à futura colônia. Estavam desgostosos e extremamente
impacientes, resultado da ociosidade, do atraso no pagamento da diária de 160
réis, bem como de suas transferências para a
colônia. Por isso, exigiram a solução imediata dessas pendências. Com
sentimento de revolta, deslocaram-se da Armação da Lagoinha para o centro da
cidade, onde atacaram a casa do presidente da Província, insultando-o
atrozmente. Para fazê-los calar, o presidente, diante da falta de recursos
públicos, paliativamente solicitou a um negociante que lhes adiantasse certa
soma em dinheiro, sob a sua garantia pessoal.
Enquanto
isso, na mata virgem, os trabalhos elementares eram executados de forma
gradativa. Em 10 de maio de 1829, Silvestre José dos Passos, dando ciência à
corte imperial do desenvolvimento dos serviços a ele confiados, afirma já ter
construído 36 palhoças para a habitação provisória dos imigrantes. Com relação
à estrada projetada, afirma que sua implantação chega ao local denominado
"Galão".
Diante
dos contratempos quando do alojamento nos quartéis das 146 famílias que se
destinaram a formar a nova colônia, 14 se deixaram ficar na cidade e seus
arrabaldes e, por isso, só 132 lotes de terras foram demarcadas para igual número
de famílias. Essas terras que a princípio seriam férteis, além de sáfaras e de
superfícies acanhadas, demonstravam qualidade mediana e, às vezes, até
infrutífera.
Já em fevereiro e março de 1829, portanto, durante os
trabalhos iniciais no local escolhido para o estabelecimento da colônia,
começaram a ocorrer as primeiras deserções. Algumas famílias decidiram fixar
residência em Desterro e
em São José
,
outras foram instalar-se, a partir de 06 de maio de 1830, na região do Alto
Biguaçu (Louro), lançando os alicerces da cidade de Antônio Carlos; outros solicitaram
a concessão de terras mais adequadas às atividades rurais no Patrimônio das
Caldas do Cubatão (hoje Caldas da Imperatriz e Águas Mornas). Tal pedido,
porém, foi indeferido, sob a justificativa de que aquelas terras não eram
devolutas e, além disso, porque estavam localizadas fora do trajeto da estrada
Desterro-Lages.
Os
colonos não demoraram muito para ver que toda a região onde estavam instalados
não era apenas acidentada, mas também muito pedregosa, dificultando qualquer
lavoura. A própria sede do Arraial de São Pedro de Alcântara, a futura
freguesia, comprimia-se entre colinas, com pouca possibilidade de tornar-se um
centro maior. Entretanto, ficara decidido por escalões superiores que o
"caminho de sertão" em direção aos campos
de Lages devia passar por ali. Era a razão de ser da "Colônia dos
Alemães" ali fundada.
Após os colonos terem recebido suas terras, executado
a derrubada e iniciado a plantação, segundo algumas fontes históricas, para
infelicidade dos imigrantes, uma parte destas ainda estava onerada com títulos
de propriedade mais antiga. Formaram-se contendas e processos que, afinal,
foram liquidados pela compra das mesmas terras pelos imigrantes. O cotidiano
dos primeiros anos foi marcado pela insegurança gerada por problemas fundiários
e pelas deficiências dos serviços públicos essenciais.
Instalados
nos lotes coloniais, os imigrantes construíram, então, sua primeira obra
comunitária. Nascia da contribuição dos colonos a primeira igreja no topo da
serra de Santa Filomena, junto às nascentes do Rio do Louro, cuja padroeira
escolhida foi Santa Bárbara. Supomos que era tosca a obra, de madeira bruta,
construída com folhas de palmeiras, da mesma forma como ranchos de palha. As
paredes e a cobertura eram confeccionadas com as folhas
trançadas da palmeira de sapé, ou guaricana. No interior da capela sentia-se o
vento sul, que soprava pelas gretas nos domingos frios de inverno rigoroso.
Apesar de carecer de conforto, a igreja era um sinal
da união dos colonos, o que os levava a trabalhar com maior esperança e fé,
capazes de concretizar objetivos comuns, diante das adversidades naturais da
incipiente vida na floresta virgem. Contíguos à pequena capela foram enterrados
os pioneiros imigrantes, que não resistindo ao infortúnio da "vida
nova", cederam a sua existência. A cada domingo, ou após o culto divino, as
pessoas visitavam os túmulos dos entes queridos. Ali, além das lágrimas,
semeavam a esperança de uma vida melhor.
Emergia, em plena floresta, um minúsculo aglomerado
habitacional, a base da nascente fundação colonial, um "centro"
devocional e social dos imigrantes. Tendo sido instalada, a colônia dos
alemães, era preciso denominá-la. Tarefa da qual se encarregou o presidente da
Província Albuquerque Mello. Em mensagem datada de 11 de julho de 1829,
comunicou ao ministro imperial José Clemente Pereira, que dera à "Colônia
dos Alemães" a denominação oficial de São Pedro de Alcântara, em homenagem
ao primeiro imperador do Brasil.
O
primeiro diretor da colônia, Silvestre José dos Passos, fazendeiro aposentado,
por sua idade avançada, já havia pedido repetidas vezes exoneração do cargo,
"por não concorrerem em mim (argumentava) os requisitos que exige um tal
serviço". Passos exerceu seu cargo até o momento em que todos os
imigrantes tomaram posse de seus terrenos. Eleito e nomeado juiz de paz da
freguesia de São José, onde assumiu seu cargo em 25 de janeiro de 1829, deixou
a administração da colônia em 06 de fevereiro de 1830. Depois, os imigrantes
elegeram Nikolaus Henkenn (Heinzen?) como líder e, após a morte deste, seu
filho Peter Henkenn (Heinzen?). Sucedeu a Passos, na função de juiz de paz, o
súdito alemão João Henrique Soechting, que havia sido tenente do 27º Batalhão
de Caçadores e participara, até o ano anterior, da campanha militar do Império
contra as províncias unidas do rio da Prata.
Com
a instalação de novas famílias, a colônia vê sua população aumentar. Em
setembro de 1830, o diretor Soechting realizou um levantamento censitário e
constata: 154 famílias, sendo 136 na estrada para Lages e 18 no Alto Biguaçu
(Louro). Outro recenseamento, efetuado em dezembro do mesmo ano, indicava
ligeiro aumento da população: 168 famílias, com 652 pessoas, 377 homens e 275
mulheres, aí incluídos adultos e crianças.
Assim que os colonos começaram a colher de seus
primeiros roçados e de seus quintais à beira-rio, frutos do suor e de lágrimas
incontidas, caiu sobre São Pedro de Alcântara, a 15 de abril de 1830, um
devastador temporal com granizo, arruinando a maioria das lavouras. Em 13 de
novembro do mesmo ano, outra tempestade bem mais ruinosa, infligiu desânimo.
Terceira devastação veio a 15 de dezembro do mesmo
ano: a lei que proclamava "abolida em todas as Províncias de Império a
despesa com a Colonização Estrangeira". Este ato administrativo
equiparou-se, indiretamente, a um virtual decreto de emancipação da colônia.
Era um inesperado presente de Natal que a Corte reservara aos colonizadores e que,
por conseguinte, retraía o governo imperial de qualquer cooperação direta,
abandonando sua iniciativa de promover e dirigir a imigração.
Diante
de parte das promessas não cumpridas, de compromissos desonrados, de terras
íngremes e de baixa fertilidade, os colonos de São Pedro de Alcântara, em 1836
começaram a migrar. Reiteraram a solicitação de terras nas imediações de Caldas
do Cubatão e lá fundam Vargem Grande.
Migram também para o vale do Itajaí Açu, onde lançam os fundamentos das
povoações de Belchior e Pocinho – hoje município de Gaspar. Em função da Lei
Provincial N. 11, de 05 de maio de 1835, migraram para Gaspar (Colônias
Belchior e Pocinho) famílias como: Bins, Deschamps, Händchen, Jochem, Junk,
Kehrbach, Klocker, Lucas, Palm, Rausch, Rinkus, Schneider, Sesterhenn, Simonis,
Theiss, Wagner, Müller entre outras. Posteriormente, toda Santa Catarina, e por
extensão o Brasil, foi recebendo os filhos dos colonos desse núcleo pioneiro.
A
colônia São Pedro de Alcântara florescia às margens da estrada que a atravessa
em direção à Vila de Lages. Mas, poucos anos mais tarde, o governo veio a
construir, na mesma direção, uma estrada paralela até o alto das Taquaras, na
Serra da Boa Vista, de trânsito mais fácil e supostamente menos íngreme, que
subia o Vale do Cubatão, via Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas. A
transferência de parte do trajeto da estrada via Vale do Cubatão, em detrimento
do Vale do Imaruim, "isolou" economicamente São Pedro de Alcântara,
em função da privação do comércio fomentado pelos transeuntes,
principalmente os tropeiros.
PARÓQUIA SÃO PEDRO DE
ALCÂNTARA
Com patrono homônimo, desmembrando-o da paróquia da
Vila de São José, no dia 13 de abril de 1844, o presidente da Província de
Santa Catarina, Antero José Ferreira de Brito, após aprovação da Assembléia
Legislativa, sancionou a Lei N. 194, que erigia em freguesia o arraial da
Colônia São Pedro de Alcântara. Em 23 de abril do mesmo ano, a citada freguesia,
é elevada à Paróquia. Apesar de ter sida criada em 1844 e confirmada pelo bispo
do Rio de Janeiro em
1845, a
nova paróquia começou a funcionar alguns anos mais tarde: 1850. Nesse ano
recebe seu primeiro um pároco, monsenhor Manoel Joaquim da Paixão. Até então
quem cuidava da novel paróquia era o Pe. Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva, residente em São José.
Com o passar dos anos, São Pedro de Alcântara
precisava de uma nova igreja matriz. Dessa forma, mobilizou-se a comunidade; a
obra foi concebida e executada na segunda metade da década de 1920. Não poderia
ter sido melhor o presente para as comemorações do centenário da Colônia do que as obras da nova Igreja Matriz, consagrada em 21 de
dezembro de 1930, com as
seguintes dimensões físicas:
Altura da torre central: 43,00m
Cúpula por fora: 35,00m
Cúpula por dentro: 33,00m
Cúpula central, diâmetro: 12,80m
Igreja – a parte mais larga: 18,40m de largura
Igreja – a parte mais estreita: 12,80m de
largura
Igreja – da porta até o presbitério:
26,40m de comprimento
Igreja – presbitério: 7,80m de
comprimento
Igreja – da porta até atrás do altar:
34,20m de comprimento
Igreja – nas portas das sacristias: 9,30m
de largura.
CRIAÇÃO DO
MUNICÍPIO
Como vimos, em 13 de abril de 1844, o presidente da
Província de Santa Catarina, Antero José Ferreira de Brito, após aprovação da
Assembléia Legislativa, sancionou a Lei N. 194, que erigia em freguesia o
arraial da Colônia São Pedro de Alcântara, com patrono homônimo, desmembrando-o
da paróquia da Vila de São José. Em 23 de abril do mesmo ano, a freguesia, com
seus limites indicados, é elevada à condição de Paróquia. Essa data de elevação da Colônia à Freguesia, equivalia, à
época, aos nossos atuais Distritos na divisão geo-política dos
Municípios.
Em 1848, São Pedro de Alcântara contava com 145
famílias, que comportavam 700 habitantes, não contando neste número muitas
famílias que mudaram o domicílio para a margem dos rios Biguaçu, Tijucas e
Itajaí, e muitos que residiam na vila de São José e na capital. Se os todos os
colonos tivessem permanecido onde foram instalados, decerto poder-se-ia contar
na Colônia, perto de 3.000 pessoas. Seis anos mais tarde, em 1854, residiam na
Colônia 1.500 habitantes, sendo mais de 30 escravos, 300 estrangeiros e
aproximadamente 1.000 brasileiros, entre descendentes de colonos e naturais do
país.
De acordo com o censo demográfico brasileiro de
1980, a
população do
distrito de São Pedro de Alcântara era de 4.701 pessoas. A sinopse preliminar da
população recenseada em 1991 do Distrito acusa 4.021 habitantes. Em 1990, iniciava-se um movimento com significativo
apoio popular, à frente o incansável Pe. HUBERTO WATERKEMPER, visando à emancipação político-administrativa de São Pedro de
Alcântara do município de São José. Em 31 de março de 1991, foi realizado o
plebiscito, quando os eleitores devidamente inscritos manifestaram-se, com
expressiva quantidade de votos, favoráveis à sua emancipação.
Após longa batalha
jurídica devido à contrariedade e intransigência do então Prefeito de São José, cumpridos os trâmites
legais e obtida, em março de 1994, por unanimidade de votos, a aprovação da
Assembléia Legislativa ao projeto de emancipação, ocorreu a instituição do
município de São Pedro de Alcântara, através da Lei Nº. 9.534. Lei que, a 16 de
abril de 1994, o então governador de Santa Catarina, Dr. Antônio Carlos Konder
Reis, fez questão de sancionar em cerimônia realizada no solo da própria sede
da histórica colônia. A instalação do novo município ocorreu a 01 de janeiro de
1997.
ANEXOS
RELAÇÃO DOS SOBRENOMES DE IMIGRANTES
ESTABELECIDOS NA
COLÔNIA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA-SC
NO PERÍODO DE
1829 A
1900
| Nº |
SOBRENOME |
Nº |
SOBRENOME |
Nº |
SOBRENOME |
Nº |
SOBRENOME |
| 001 |
Achtert |
002 |
Agnes |
003 |
Ahl |
004 |
Albers |
| 005 |
Alflen |
006 |
Ambré |
007 |
Arenz |
008 |
Backes |
| 009 |
Balles |
010 |
Barthes |
011 |
Bass |
012 |
Bauer |
| 013 |
Baumgarten |
014 |
Becker |
015 |
Behrens |
016 |
Bender |
| 017 |
Berg |
018 |
Bergmann |
019 |
Besen |
020 |
Beuren |
| 021 |
Beurer |
022 |
Bins |
023 |
Bissel |
024 |
Bläser |
| 025 |
Blasius |
026 |
Boeckler |
027 |
Bohnen |
028 |
Bonherts |
| 029 |
Born |
030 |
Bornhausen |
031 |
Bornhofer |
032 |
Both |
| 033 |
Böttger |
034 |
Brand |
035 |
Brandenburger |
036 |
Braun |
| 037 |
Bries |
038 |
Brüchnem |
039 |
Brück |
040 |
Brückenem |
| 041 |
Brütner |
042 |
Bückler |
043 |
Büdinger |
044 |
Bühler |
| 045 |
Burlschenbusch |
046 |
Bursliet |
047 |
Büttinger |
048 |
Cammer |
| 049 |
Cher |
050 |
Colin |
051 |
Conradi |
052 |
Croemer |
| 053 |
Dahmann |
054 |
Danner |
055 |
De Neuve |
056 |
Depré |
| 057 |
Deschamps |
058 |
Dewes |
059 |
Diederich |
060 |
Diedmann |
| 061 |
Dör |
062 |
Eich |
063 |
Emmerich |
064 |
Erz |
| 065 |
Esper |
066 |
Felber |
067 |
Feltes |
068 |
Fischer |
| 069 |
Franzener |
070 |
Freiberger |
071 |
Friedes |
072 |
Friedrich |
| 073 |
Frilhs |
074 |
Fuchs |
075 |
Fuhrmann |
076 |
Gansen |
| 077 |
Gebien |
078 |
Geise |
079 |
Geissbusch |
080 |
Gesser |
| 081 |
Gödert |
082 |
Görent |
083 |
Gorges |
084 |
Grab |
| 085 |
Griele |
086 |
Grundhöfer |
087 |
Gysing |
088 |
Habitzreuter |
| 089 |
Hack |
090 |
Händchen |
091 |
Hanssen |
092 |
Haskel |
| 093 |
Heck |
094 |
Heingmann |
095 |
Heinzen |
096 |
Henne |
| 097 |
Herath |
098 |
Hermes |
099 |
Herkes |
100 |
Hesser |
| 101 |
Hoffmann |
102 |
Holze |
103 |
Holzer |
104 |
Horn |
| 105 |
Huber |
106 |
Hutmann |
107 |
Jakob |
108 |
Jakobsen |
| 109 |
Jäp |
110 |
Jasper |
111 |
Jeantié |
112 |
Juchem |
| 113 |
Junk |
114 |
Junkers |
115 |
Junklaus |
116 |
Justen |
| 117 |
Kahl |
118 |
Kehrig |
119 |
Kenzer |
120 |
Kerbach |
| 121 |
Kich |
122 |
Kiefer |
123 |
Kiele |
124 |
Kirchen |
| 125 |
Kirckn |
126 |
Klasen |
127 |
Kleger |
128 |
Klock |
| 129 |
Klocker |
130 |
Kobes |
131 |
Köche |
132 |
Kohlen |
| 133 |
Kommes |
134 |
König |
135 |
Kons |
136 |
Kremer |
| 137 |
Kretzer |
138 |
Kreusch |
139 |
Kreutz |
140 |
Krick |
| 141 |
Kroemer |
142 |
Kron |
143 |
Kuber |
144 |
Kuhnen |
| 145 |
Laubentahl |
146 |
Lauer |
147 |
Laux |
148 |
Lee Fleuer |
| 149 |
Lennhardt |
150 |
Lenz |
151 |
Lesseln |
152 |
Lieser |
| 153 |
Loch |
154 |
Lohn |
155 |
Lohr |
156 |
Longen |
| 157 |
Lorich |
158 |
Lucas |
159 |
Ludwig |
160 |
Mannebach |
| 161 |
Mannerich |
162 |
Mannes |
163 |
Martendahl |
164 |
May |
| 165 |
Meier |
166 |
Meinschein |
167 |
Mergener |
168 |
Merger |
| 169 |
Merges |
170 |
Mertens |
171 |
Meurer |
172 |
Michels |
| 173 |
Milwerstedt |
174 |
Müller |
175 |
Münnich |
176 |
Münter |
| 177 |
Muthmann |
178 |
Nau |
179 |
Neckel |
180 |
Neiss |
| 181 |
Netver |
182 |
Neumann |
183 |
Orels |
184 |
Ostermann |
| 185 |
Otto |
186 |
Palm |
187 |
Pauli |
188 |
Payeken |
| 189 |
Peters |
190 |
Petri |
191 |
Petry |
192 |
Pfeiffer |
| 193 |
Philippi |
194 |
Pies |
195 |
Pirmassing |
196 |
Planck |
| 197 |
Plevoets |
198 |
Preis |
199 |
Pretz |
200 |
Prim |
| 201 |
Pudinger |
202 |
Pütz |
203 |
Radat |
204 |
Rausch |
| 205 |
Reichert |
206 |
Reinadus |
207 |
Reinert |
208 |
Reiter |
| 209 |
Remackles |
210 |
Rengel |
211 |
Reuter |
212 |
Richard |
| 213 |
Rinkus |
214 |
Rohden |
215 |
Rohles |
216 |
Rohrs |
| 217 |
Rosar |
218 |
Rothanermel |
219 |
Rübler |
220 |
Ruöte |
| 221 |
Ruppel |
222 |
Sabel |
223 |
Salis |
224 |
Schäfer |
| 225 |
Scharf |
226 |
Schauren |
227 |
Scheid |
228 |
Schell |
| 229 |
Schenk |
230 |
Scherer |
231 |
Schiff |
232 |
Schimke |
| 233 |
Schmidt |
234 |
Schmitt |
235 |
Schmitz |
236 |
Schneid |
| 237 |
Schneider |
238 |
Schnitzler |
239 |
Schock |
240 |
Schreiner |
| 241 |
Schroeder |
242 |
Schumacher |
243 |
Schütz |
246 |
Schwabe |
| 245 |
Schwartz |
246 |
Schwarz |
247 |
Schweitzer |
248 |
Sens |
| 249 |
Sensheim |
250 |
Sepular |
251 |
Sesterhenn |
252 |
Sieglin |
| 253 |
Simonis |
254 |
Soechting |
255 |
Spengler |
256 |
Stähelin |
| 257 |
Stein |
258 |
Steinbach |
259 |
Steins |
260 |
Stock |
| 261 |
Stoll |
262 |
Theiss |
263 |
Theissen |
264 |
Thomas |
| 265 |
Tiegendorf |
266 |
Tildris |
267 |
Trierweiler |
268 |
Van Bursliet |
| 269 |
Von Kurz |
270 |
Vicker |
271 |
Vürtz |
272 |
Wagner |
| 273 |
Waldorf |
274 |
Waldrich |
275 |
Weber |
276 |
Weinand |
| 277 |
Welter |
278 |
Werner |
279 |
Westrup |
280 |
Wiedrich |
| 281 |
Wiese |
282 |
Wild |
283 |
Wilhelm |
284 |
Will |
| 285 |
Wilvert |
286 |
Winter |
287 |
Wirschem |
288 |
Wolf |
| 289 |
Wollscheid |
290 |
Zerpes |
291 |
Ziegler |
292 |
Zimmer |
| 293 |
Zimmermann |
294 |
Zischer |
- |
- |
- |
- |
Fonte: Historiador Toni Jochem.
CRONOLOGIA DA
IMIGRAÇÃO
E COLONIZAÇÃO ALEMÃS QUE ANTECEDEU
A FUNDAÇÃO DA COLÔNIA SÃO PEDRO DE
ALCÂNTARA-SC |
22/04/1500 |
O
Brasil é descoberto. |
01/09/1534 |
Portugal
concede as terras de Sant’Ana, hoje litoral de Santa Catarina,
em Capitania
Hereditária
, a Pero Lopes de Souza. |
1776 |
O
Governador da Capitania de Santa Catarina, Pedro Antônio da Gama Freitas,
ordena ao Tenente José Luiz Marinho a abertura de uma picada exploratória
em direção ao Planalto Serrano, a partir da foz do Rio Cubatão. |
11/01/1787 |
Início
do empreendimento exploratório da ligação rodoviária litoral-planalto, via
Vale Rio Imaruim. |
20/12/1787 |
O
Alferes João de Bitencourt Pereira Machado e Souza faz o reconhecimento da
picada do Alferes Antônio José da Costa e propõe o traçado do "Caminho
das Tropas", via Vale do Cubatão. |
31/10/1787 |
O
Vice-Rei do Brasil, Luís de Vasconcelos e Souza, autoriza a construção da ligação
rodoviária entre o Planalto Serrano e o Litoral catarinense, futura rodovia
BR – 282. |
06/12/1790 |
Conclusão
da implantação da estrada litoral-planalto e entrega ao procurador da
Câmara de Desterro, Aleixo Maria Caetano. |
1808 |
O
Príncipe Regente Dom João transfere-se para o Brasil e decreta, em 28 de
janeiro, a abertura dos portos brasileiros. Estrangeiros formam colônias
urbanas. |
1814 |
D. João
convida súditos de todos os países europeus à imigração. |
30/10/1814 |
Indígenas
enfurecidos dizimam contingente policial que guardava as fontes termais em
Caldas do Cubatão, hoje, Caldas da Imperatriz,
em Santo Amaro
da
Imperatriz. |
1817 |
A
arquiduquesa Leopoldina (1797-1826) chega ao Rio de Janeiro. Em sua
comitiva figuram cientistas, artistas e artesãos alemães. Imperatriz a
partir de 1822. |
1818 |
Fundadas
as primeiras colônias agrícolas alemãs no Brasil: Leopoldina e São Jorge
dos Ilhéus, na Bahia. |
1820 |
Fundação
de Nova Friburgo-RJ. Suíços ocidentais. D. João tenta atrair imigrantes
alemães. |
07/09/1822 |
Declaração
da Independência do Brasil, por D. Pedro. Imperador até 1831. |
1823 |
Organização
dos Batalhões de Estrangeiros, no Rio de Janeiro. |
1824 |
Constituição
do Império, em 25 de março. Admissão de imigrantes não-católicos. Em 3 de
maio, criação da primeira comunidade evangélica alemã,
em Nova Friburgo-RJ. Em
25 de julho, fundação da Colônia São Leopoldo, Rio Grande do Sul. |
1829 |
Fundação
de colônias alemãs Santo Amaro,
em São Paulo
e Rio Negro, no Paraná. |
01/03/1829 |
Fundação
de São Pedro de Alcântara – a mais antiga colônia alemã do Estado de Santa
Catarina – no Vale do Rio Imaruim. |
|
Fonte: Historiador Toni Jochem.
RELAÇÃO DOS
PRINCIPAIS NÚCLEOS DE COLONIZAÇÃO ALEMÃ FUNDADOS NO PERÍODO DE
1829 A
1900 NO ESTADO DE
SANTA CATARINA |
Nº
|
NOME DA COLÔNIA
|
EXTENSÕES OU
SUB-DIVISÕES
DA COLÔNIA
|
REGIÃO
POLARIZADA
|
FUNDADOR
|
DATA/ANO DA
FUNDAÇÃO
|
CIDADE/MUNICÍPIO
/REGIÃO
|
01
|
São Pedro de Alcântara
|
Sede de Colônia
|
Grande Florianópolis
|
Governo Provincial/Imperial
|
01/03/1829
|
São Pedro de Alcântara
|
02
|
São Pedro de Alcântara
|
Santa Filomena
|
Grande Florinaópolis
|
Núcleo Espontâneo
|
1830
|
São Pedro de Alcântara
|
03
|
São Pedro de Alcântara
|
Colônia Itajahy
|
Médio Vale do Itajaí
|
Governo Provincial
|
05/05/1835
|
Região de Gaspar e Imediações
|
04
|
São Pedro de Alcântara
|
Vargem Grande
|
Grande Florianópolis
|
Núcleo Espontâneo
|
1837
|
Águas Mornas
|
05
|
São Pedro de Alcântara
|
Leopoldina
|
Grande Florianópolis
|
Seridan Telghuís
|
1848
|
Antônio Carlos
|
06
|
Santa Isabel
|
Sede de Colônia
|
Grande Florianópolis
|
Governo Provincial//Imperial
|
1847
|
Águas Mornas e Rancho Queimado
|
07
|
Piedade
|
Sede de Colônia
|
Grande Florianópolis
|
Governo Provincial/Imperial
|
1847
|
Governador Celso Ramos
|
08
|
Blumenau
|
Sede de Colônia
|
Médio Vale do Itajaí
|
Hermann Blumenau
|
02/09/1850
|
Blumenau e Região
|
09
|
Blumenau
|
Rio do Testo
|
Médio Vale do Itajaí
|
Núcleo Espontâneo
|
1860?
|
Pomerode
|
10
|
Blumenau
|
Indaial
|
Médio Vale do Itajaí
|
Núcleo Espontâneo
|
1866
|
Indaial
|
11
|
Blumenau
|
Benedito - Timbó
|
Médio Vale do Itajaí
|
Friedrich Donner
|
1869
|
Timbó
|
12
|
Dona Francisca
|
Sede de Colônia
|
Nordeste Catarinense
|
Sociedade Colonizadora de Hamburgo
|
09/03/1851
|
Joinville e Região
|
13
|
Dona Francisca
|
Guaramirim
|
Região de Brüderthal
|
Pastor Wilhelm Gottfred Lange
|
1866
|
Guaramirim
|
14
|
Dona Francisca
|
Jaraguá
|
Vale do Itapocu
|
Emílio Carlos Jourdain
|
1876
|
Jaraguá do Sul
|
15
|
Dona Francisca
|
São Bento do Sul
|
Alto Rio Negro
|
Sociedade Hamburguesa de
Colonização
|
1873
|
São Bento do Sul
|
16
|
Col. Militar Santa Teresa
|
Sede de colônia
|
Rio do Itajaí do Sul
|
Governo Provincial/Imperial
|
08/11/1853
|
Alfredo Wagner
|
17
|
Itajahy
|
Sede de Colônia
|
Vale do Itajaí Mirim
|
Governo Imperial
|
04/08/1860
|
Brusque e Guabiruba
|
18
|
Teresópolis
|
Sede de Colônia
|
Grande Florianópolis
|
Governo Provincial/Imperial
|
03/06/1860
|
Águas Mornas e São Bonifácio
|
19
|
Teresópolis
|
Quadro Braço do Norte
|
Vale do Rio Tubarão
|
Núcleo Espontâneo
|
1873
|
São Ludgero e Região
|
20
|
Col. Nacional Angelina
|
Sede de Colônia
|
Grande Florianópolis
|
Governo Provincial
|
10/12/1860
|
Angelina
|
21
|
Grão-Pará
|
--------
|
Vale do Rio Tubarão
|
Joaquim Caetano Pinto Júnior
|
02/12/1882
|
Grão-Pará
|
22
|
Hansa - Humbold
|
Sede de Colônia
|
Vale do Itapocu
|
Sociedade Colonizadora Hanseática
|
1897
|
Corupá
|
23
|
Hansa - Hamônia
|
Sede de Colônia
|
Alto Vale do Itajaí
|
Sociedade Colonizadora Hanseática
|
1897
|
Ibirama e Região
|
Fonte: Historiador Toni Jochem. A
presente relação não esgota o rol dos núcleos, extensões ou subdivisões de
Colônias Alemãs fundadas no período de
1829 a
1900 no Estado de Santa Catarina. Um
estudo mais acurado poderá complementar a presente tabela. Informamos ao
leitor que em algumas dessas Colônias (Santa Teresa e Angelina) os imigrantes
alemães eram minoria.
|